"É lenta e quase não fala. Tem olhos hipnóticos, quase diabólicos. E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguiria alcançá-la. Muita gente deve achá-la antipaticíssima, mas eu achei linda, profunda, estranha, perigosa."
Caio F. Abreu.
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A festa foi legal. Tinha bebida, música boa e gente bonita. Eu ri, dancei, bebi um pouco demais, fiz algumas bobeiras, beijei alguns garotos e cai na risada de novo. Quem me olhava até poderia deduzir que eu era feliz, que não tinha problemas ou que já tinha superado. Mas no fundo ninguém é bobo, basta uma conversa ou um olhar e você vai conseguir enxergar toda a dor armazenada aqui – eu sou transparente demais pra quem está disposto a enxergar. Mas, o que mais dói no meio disso tudo, é que em todas as vezes que eu olhava alguém eu via você. Todas as vezes que eu dancei imaginei você sentado em um canto qualquer, rindo do meu jeito bobo de fazer as coisas, sempre tão errada. E quando eu bebi foi na esperança de te esquecer, nem que fosse por alguns segundos, tirar essa dor que criou moradia em mim e não quer ir embora de jeito nenhum. Confesso que não sei quem eu odeio mais nessa história, você – que é ridiculamente idiota, e todos os outros adjetivos ruins e palavrões existentes no planeta, mas consegue fazer meu coração bater de um jeito inexplicável, como se estivesse ganhando vida. Que consegue virar meu tão organizado e monótono mundo de cabeça pra baixo com apenas um olhar – ou eu mesma, que ainda te deixo ter todo esse efeito sobre mim. Mas, o amor é uma das únicas coisas que não dá pra mudar. Não importa o quando machuque, o quanto você precisa, aliás, parece que quanto mais dói mais forte ele se torna. Ironia da vida ou não, o amor tem vida própria e só cabe a ele decidir quando partir. E até lá? Até lá, meu bem, eu vou seguindo meu caminho. Caindo, levantando, chorando, tendo crises, querendo você aqui. Eu vou superando, fingindo sorrisos, cansada de tentar lutar contra isso. Eu vou esperando o amor se cansar de me fazer de boba, e dar um espaço pra felicidade – tão desejada – entrar.

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